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Sobre Antologias – Por que participar?

Ainda que hoje em dia a publicação de um romance, para um escritor amador, seja sensivelmente mais acessível do que, digamos, há algumas décadas atrás, a tarefa continua deveras árdua; uma jornada quase que épica lutando bravamente por um espaço no mundo editorial e literário, sempre tentando vencer o monstro do preconceito que surge por parte das grandes editoras e dos próprios leitores brasileiros – que por vezes parecem considerar que histórias fantásticas escritas por gente de sua própria terra simplesmente não têm como exibir qualidade. Felizmente, em meio à tantas dificuldades enfrentadas por aqueles que tentam seguir o caminho da escrita, se popularizou nos últimos anos – provavelmente devido às facilidades trazidas pela internet e a crescente quantidade daqueles que se aventuram na escrita – um fenômeno que em muito pode ajudar um escritor que ainda não conseguiu o seu renome: as antologias.

O termo aparece pela primeira vez no prefacio da compilação do grego Meleagro de Gadara “the Garland”, obra que reúne epigramas – poemas curtos e que apresentam um único pensamento – dele e de outros autores e onde ele teria descrito o que fazia como sendo uma antologia, do grego, “buquê de flores”; com o tempo (muito tempo mesmo) o termo acabou por se popularizar e acabar sendo usado para qualquer coletânea de obras literárias de um ou mais autor.

A despeito da origem pródiga e antiga, as antologias as quais me refiro são um fenômeno relativamente recente e não é preciso aprender grego para entendê-las e funcionam de forma bem simples. Em primeiro lugar, tais compilações são “montadas” por via da internet (ou seja nada de atrasos e extravio por parte de correios de competência duvidosa hell yeah!) e a seleção de seu conteúdo em muito se assemelha com um concurso: são abertas inscrições e então aqueles que almejam participar mandam seus escritos seguindo algumas normas (tamanho máximo, tema e etc) e então os organizadores escolhem em torno de vinte contos daquela “safra”, para serem publicados em um livro (um livro físico, não virtual, diga-se de passagem) junto com uma pequena biografia de cada autor.

Neste tipo de publicação os direitos sobre cada conto continuam pertencendo aos seus respectivos escritores (se não fosse dessa forma eu nem teria me dado o trabalho de elaborar um post sobre o tema) e o pagamento do autor feito de forma a ajudar tanto na divulgação do livro e no custeio da produção da obra. Normalmente isso acaba por ocorrer sob forma de exemplares que o escritor pode vender sob consignação (dessa forma o risco é da editora, pois exemplares não vendidos podem ser devolvidos, aconselho aos interessados a verificar se a venda é realmente sob consignação) ou então o livro é vendido pela internet sob demanda e os autores têm direito a descontos para adquirir exemplares. Nas duas formas o escritor não paga nada pela publicação e, almejando angariar novos leitores, acaba ajudando na divulgação do livro. Algumas antologias publicam o livro fisicamente e nada é cobrado ao autor, nem uma taxa de esforço, nem uma taxa monetária.

Neste ponto, ponderando sobre o que já foi dito, alguém pode pensar: “Certo, certo… a idéia da coisa até que é interessante, mas não vejo sentido em publicar um livro que não é só meu, mas também de um monte de gente que nem mesmo conheço e além disso terei que praticamente trabalhar vendendo se quiser ganhar um pouco de dinheiro sendo que já tive o trabalho de escrever!” É verdade que a grana é pouca e que você vai ter que vender para consegui-la, mas alguém que pensar sobre o assunto com cuidado vai perceber que, neste tipo de publicação o dinheiro envolvido (ao menos para os autores) esta longe de ser o principal ganho, como irei exemplificar.

Creio que em primeiro lugar vem a questão da auto-estima. Todos que escrevem e postam seus trabalhos na internet (seja em sites ou blogs) sabem que, mesmo nesse ambiente, existe certa dificuldade em encontrar pessoas dispostas a ler o que foi escrito. Essa falta de retorno muitas vezes acaba por desmotivar o escritor ou, no mínimo, diminuir-lhe o ritmo de escrita, podendo até mesmo levar aos infames e inconvenientes “Writer’s Block”. Chega a ser elementar dizer que: a empolgação de saber que esta progredindo e que agora tem um material com registro na biblioteca nacional; a sensação de folhear um livro contém uma de suas histórias, seu nome sua biografia e ter a certeza de que será lido por pessoas as quais nunca conversou ou teve contato fariam com que qualquer um viesse a escrever com ânimo e ritmo renovado, provavelmente não tendo bloqueios criativos (nada mais que um estado psicológico) por um tempo significativo.

Outro ponto a ser observado é o fato de muitos escritores amadores não conseguirem moderar o que escrevem no sentido de se ater à idéia principal de uma cena ou capitulo que estão trabalhando, por exemplo. Tal coisa se não controlada pode levar uma história à perder seu caminho conforme o autor vai, sem querer, se estendendo por tópicos que estavam longe de ser os que pretendia abordar em sua trama; não que subtramas (side-quests para rpgistas) ou detalhes sobre o mundo em que uma história se passa sejam ruins, muito pelo contrario, são ótimos para enriquecer uma obra. Contudo é preciso saber conduzir as cenas e ter um domínio sobre o que se passa, para não correr o risco de deixar algo que foi feito para enriquecer a história mais forte que a própria história, dentro de um mesmo “romance”. Creio que a criação de contos são um ótimo exercício para treinar este domínio, principalmente quando se tem um limite de caracteres à seguir, pois “obriga” o escritor a ater-se em uma única “linha de pensamento”. Claro que essa limitação não é algo que se deva fazer em histórias normais, contudo, em um exercício, pode ser algo que traga aprendizado.

Não poderia deixar de também citar as facilidades que publicar em antologias pode trazer a um escritor caso ele decida “seguir carreira”. A começar que tal tipo de publicação, por mais que não traga todo o respaldo de um romance próprio, é um primeiro contato com editoras, o que é interessante para começar a ver as “dinâmicas” do mundo editorial, mesmo que só uma pontinha. Sendo que, por mais que seja um crescimento em menor escala, alguém que adquiriu como hábito sempre mandar um texto ocasional quando tiver tempo, vai acabar adquirindo uma “fama”, o que pode facilitar na hora de conseguir contrato com uma editora maior (que se fossem espertar teriam “olheiros” para dar uma olhada em publicações como essa) ou mesmo entrar em um acordo com uma editora menor, porém já velha conhecida devido à presença em múltiplas coletâneas. Na falta de uma publicação grande anterior, ter o nome em varias antologias é “carta de apresentação” melhor do que não ter o nome em lugar nenhum.

Além de tudo isso, existe  também o fator de conhecer novos autores. Devo lembrar, para os que são mais anti-sociais, que ter uma “rede de contatos” com outros escritores é quase que fundamental. Como mencionado anteriormente, existe uma dificuldade em encontrar possíveis leitores, mas a dificuldade de descobrir pessoas dispostas a criticar e revisar uma história é ainda maior, desnecessário dizer que um colega escritor pode ajudar muito nesse quesito, além de talvez vir a recomendar histórias e livros interessantes (tão importantes para a formação de qualquer um que se propõe à escrever), indicar artigos sobre escrita ou sobre publicação e até mesmo dispor material que ele próprio escreveu para ser avaliado, exercício que pode vir a ser muito construtivo para quem escreve. Isso sem mencionar que, entre tanto preconceito com o escritor brasileiro, é de extrema importância que exista uma comunidade firme, para que, no fim, todos saiam ganhando.

Por ultimo, mas, como normalmente acontece com o que fica pro final, não menos importante, devo dizer que, apesar das vantagens e benefícios que a participação em uma antologia pode trazer, é importante que se tenha tanto discernimento quanto atenção ao ler as regras e, principalmente o contrato quando almejando participar de uma dessas coletâneas. É importante que saiba-se exatamente o que se esta assinando para que depois não acabe em uma situação complicada, com regras que não poderia cumprir. Sem contar que, com o crescente interesse na literatura fantástica no Brasil, vendo que é um mercado em ascensão e com muita gente interessada, possíveis charlatões, com sua criatividade para a trapaça e enganação, podem vir a tentar tirar vantagens de escritores incautos.

Felizmente, há varias antologias circulando por aí e não posso dizer que algumas delas é enganação. Algumas foram canceladas depois de ter anunciado os ganhadores, é verdade, mas, apesar do contratempo que isso possa ser, não configura um problemão para o escritor. Contudo, se ainda assim ficam receios e duvidas, procure antologias de editoras que conhece ou que já têm certa cultura e reconhecimento na publicação desse tipo de material (como a Estronho ou a Draco).

Encerro aqui este post, lembrando a quem quer que venha a lê-lo de que existe um post com uma lista de antologias que ainda estão aceitando envio de material (não postarei o link porque, dada a pequena quantidade de posts do blog, seria uma perda de tempo), com o tempo, conforme forem surgindo novas antologias, iremos postar links e informações (quando souberem de alguma nova, não exitem em avisar).

Meus mais sinceros votos de boa sorte para aqueles que tentem participar de alguma antologia. Meus mais sinceros votos de boa sorte, também, para aqueles que não vão participar. Afinal, sendo, como eu, um aspirante a escritor, certamente vai precisar em certa medida. Sorte, paciência, esforço e competência.

Até o próximo post, que, desta vez, explicará o que vem a ser um Trapeixe.

Ps: alguns talvez lembrem deste post vindo de um finado blog. Sim, sucateei de lá, mas, dada a certeza de que nem todos sabem direito do que se trata um antologia, afinal, ele sempre será válido.

Escrito por Renan Barcellos

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  1. Palas
    fevereiro 7, 2012 às 3:01 pm

    Acho que o melhor jeito de convencer alguém a participar de antologias é dizer “por que não?”, afinal tipo é o jeito mais fácil de publicar e um dos mais gratificantes porque é “rápido” e você ainda se sente GANHANDO DOS TROXA

  2. fevereiro 8, 2012 às 12:38 am

    Li tudo e acho que antologias podem ser mesmo uma boa ideia. E mais ainda… Fico esperando pelo proximo post, pois desde que vi o blog, fico pensando o que diabos é um Trapeixe!!! XD Nem o google me respondeu essa!

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