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Criação de Personagens Orientada à Perguntas – Parte 3 – A Pirâmide de Maslow

Todo personagem, toda pessoa, possui necessidades e anseios. Em parte isso é os faz seguir em frente, continuar com suas vidas e fornecem uma espécie de guia que incitará suas buscas e moldarão seu futuro. Talvez a caracteristica mais inerente aos seres humanos seja a ambição, pois este sentimento nunca se desfaz, sempre se mostra presente nos pensamentos e nos sonhos. A ambição faz com que se queira melhor a situação atual, que se precise descobrir uma nova forma de se realizar as coisas, seja por um motivo de vida ou morte ou por simples prazer em desvendar o mundo. A ambição também leva a vontade da escrever a um pretenso escritor, seja qual for os motivos por trás disso, uma necessidade de se exprimir, a vontade de ser conhecido ou o prazer de contar histórias.Assim como os seres humanos, os personagens tem seus planos, objetivos ou vontades que se esforçam em negar.

No entanto, a despeito da enorme diversidade de anseios que alguém pode abrigar dentro de si, sempre existe determinada vontade, determinada busca que, enquanto não cumprida, torna-se o principal “problema” a ser corrigido. Por mais que um náufrago careça de companhia ao se ver perdido em uma ilha deserta, ele terá ambições mais urgentes. Ele se preocupará com água e comida, pois esta é a preocupação mais básica que o ser humano possui. Tendo encontrado sua forma de sub-existir, logo começará a pensar em meios mais eficientes de se proteger das interpéries, do frio, das chuvas. Só então quando se ver em uma caverna e já sabendo como pescar e coletar agua que a solidão irá cobrar seu preço, eis que surge a companhia na forma de um rosto em uma bola de futebol.

Ao criar seu modelo de perguntas, Lisle dividiu sete áreas que pensou ser relevantes para a criação de um personagem. Foram selecionadas de forma a abranger pontos que tocam pontos que normalmente fazem parte das ânsias de uma pessoa, ou então que podem influenciar o modo como isso se formam e o jeito com que se manifestam. Tal divisão (quer será comentada no fim do post) não foi feita de forma arbitrária, mas inspirada na Hierarquia de nessessidades de Maslow.

Esta divisão hierarquica foi criada pelo psicólogo americano Abrahan Maslow e segue a premissa de que para saciar as camadas mais altas da piramide, é nescessário que as camadas anteriores tenha sido devidamente supridas. Desta maneira, todos os pontos deveriam estar devidamente “saciados”, antes que uma pessoa chegasse à sua auto-realização. Portanto, segundo essa ideia, alguem só poderia começar a realmente se preocupar e trabalhar em seu aspecto social, caso suas nescessidades fisilógicas e sua segurança estivessem satisfeitas.

Fisiológicas: Nessessidade de oxigénio, clima habitável, comida, água e descanso se encontram entre as nessessidades fisiológicas. Basicamente, tudo o que é preciso para alguem manter ao menos uma sub-existencia.

Segurança: Este nivel da piramide pode incluir moradia, emprego, local mais confortavel para habitar, ambiente iluminado, escolas de qualidade. Em geral, pontos que são vistos como importantes para se morar em determinado local ou levar uma vida com relativa estabilidade.

Sociais: Aqui vem a nescessidade de ter amigos, companhia, participar de um grupo que lhe acolha, contato pessoal, vida em comunidade e apoio familiar. Basicamente, um ambiente em que sabe-se que suas ideias e atos serão aceitos e será visto como pertencente àquele lugar.

Status-Estima: Ser reconhecido, sentir que é importante, ter o respeito dos outros, auto-estima e confiança. Este nivel abrange tudo envolvendo sentir-se valorizado e que os esforços tem sua relevância, de alcançar as proprias espectativas.

Auto-realização: Este seria o ponto, segundo Maslow, que o ser humano atinge suas plenas capacidades e trabalha em prol de seguir buscas pessoais, ou de melhorar necessidades já supridas.

Esta divisão hierárquica é criticada, pois diz-se que é possivel uma pessoa alcançar sua auto-realização sem ter todas suas nescessidades fisiológicas supridas. Alguns psicologos vêem poucas evidencias de que exista realmente alguma hierarquia para as nescessidades humanas. No entanto, tais discussões não são relevantes para o processo de se criar personagens, já que a hierarquia de Malow esta sendo utilizada apenas como uma referencia.

O que importa para o processo de criação é que tal piramide fornece uma visualização de que pontos são importantes para um ser humano e dando um escala de prioridade, pelo menos, simbólica. É facil olhar para os niveis apresentados e pensar no que motiva um personagem, seja ela mentalmente saudavel ou aqueles que sofrem de alguma psicose ou estão desesperados para suprir alguma das etapas da piramide.

Um personagem que precise suprir suas necessidades fisiológicas pode, tal qual o Naufrago, estar em um ambiente hostil, onde sua vida esta em risco e precisa constantemente se esforçar para encontrar meios de sobreviver. Já se o personagem se encontrar em camadas superiores, pode querer perseguir seus sonhos e necessidades pessoais, ou então ser um cientista dominado pela loucura, que enquanto avança em suas pesquisas, se frusta constamente pela sociedade academica não ver validade em seus trabalhos, mas ele vai faze-los perceber a verdade, nem que seja a ultima coisa que faça.

É importante ter em mente que um personagem sempre vai estar atrás de uma coisa. Seja algo pequeno, seja algo grande. Dificilmente um personagem que tenha tudo que precisa teria motivação razoavel para participar de seja lá qual for a história, a não ser que seja forçado a tal, mas, neste caso, começa a surgir uma necessidade. Ele começa a temer por sua segurança, ou talvez precise lutar para sobreviver.

Bons personagens normalmente tem grandes aspirações, ou ao menos, aspirações complicadas de se resolver, mesmo que, à primeira vista, sejam simples. Essa busca não precisa obrigatoriamente com os rumos seguidos pela história proposta ou mesmo manter-se a mesma durante todo o percurso, ou acabar quando o livro chega ao fim. Pelo contrário, personagens que possuem desejos e objetivos que extrapolam a história apresentada mostram que o mundo não é apenas aquele presente nas paginas, não se resume a um punhado de protagonistas, coadjuvantes e os eventos que os ligam até o fim de uma aventura. Mas que o mundo é um lugar vivo, com coisas acontecendo a todo instante e que não precisa da presença daqueles personagens para existir.

A parte de como desenvolver aquilo que guia e impele o personagem será vista no proximo post, que conterá (finalmente, diga-se de passagem) o inicio do fluxograma de perguntas propostas por Holly Lisle.

As sete áreas propostas pela escritora, que tomam como base a Piramide de Maslow para determinar o que um ser humano precisa e que pode guiar um personagem são: Nescessidade, busca e fuga; Trabalho e Hobby; Passado, Presente e Futuro; Amigos, inimigos e amantes; Vida e Morte; Cultura, Religião e Educação; e Orientação Moral.

Renan Barcellos enrolou, enrolou, mas

no proximo post começa o bendito fluxograma.

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