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Raças não-humanas – explorando tabus

Post atrasado está atrasado. Enfim:

Semana passada eu escrevi um pouco sobre o uso de raças não-humanas em cenários de fantasia, principalmente (sem que isso inviabilize o uso dos mesmos conceitos em ficção científica). Vimos que o preconceito pode ser usado se trabalhado de forma a representar múltiplos pontos de vista em conflito entre múltiplas nações e raças diferentes. Nessa semana vamos explorar um segundo uso para várias raças não-humanas: o uso de tabus.


Nós, terráqueos, somos constantemente proibidos de tocar em certos assuntos simplesmente por que um código social complexo os proíbe de serem discutidas em público. O melhor exemplo que posso dar desse código é o sexo. Hoje em dia existe uma tendência a falar abertamente sobre sexo principalmente para evitar violência sexual, gravidez precoce e DSTs, mas sejamos francos, quem aqui se sente 100% confortável falando sobre o que acontece entre duas pessoas e uma camisinha entre quatro paredes? A maior parte dos tabus que temos hoje em dia são criados por proibições relacionadas a religiões e suas visões de certo e errado – mas por mais que essas proibições, em uma análise imparcial, pareçam incoerentes, em alguns meios sociais não é possível falar abertamente sobre tais assuntos.


Quando queremos dar verossimilhança a uma sociedade criada dentro de um mundo fictício, queremos que a sociedade espelhe, pelo menos no aspecto cultural/ideológico, a sociedade em que vivemos. O leitor se colocará no papel do personagem mais facilmente caso possa ver aspectos de sua própria cultura e valores dentro dos personagens principais. Assim sendo, é normal que os mesmo tabus que existem na nossa sociedade apareçam também dentro da sociedade dos personagens das histórias que escrevemos. A partir disso, podemos usar o artifício de raças não-humanas ou de civilizações humanas desconhecidas/exóticas para passar por cima destes tabus e usá-los normalmente. Voltando ao sexo, o primeiro exemplo desta quebra de tabus que me vêm a mente é a cidade-livre de Qarth da série de livros d’As Crônicas de Gelo e Fogo, de Geoge R. R. Martin. Na cidade-estado fictícia o sexo é algo bonito e saudável, uma verdadeira arte passada de mãe para filha. Conceitos como castidade são vistos como bobeira e a prostituição é uma atividade comercial tão aceitável como vender peixe na feira.


Outro exemplo que me vêm à mente é a sociedade de minotauros do cenário de RPG brazuca Tormenta. Entre os minotauros do jogo, a escravidão é um atividade perfeitamente legal e aceita. Por mais que seja completamente proibida em todos os outros reinos, ninguém se atreve a levantar um dedo para reclamar do costume minotauro. No terceiro romance da Trilogia Tormenta – O Terceiro Deus, de Leonel Caldela – temos até uma passagem em que um recém capturado elfo está confortável com a idéia de ser um escravo, pretende ser um escravo eficiente para seus futuros mestres e quem sabe levar uma vida melhor do que levaria como um mendigo. Nesse caso vemos um claro exemplo de xenofilia, a anexação ou admiração de aspectos culturais estrangeiros.


Colocar raças diferentes em uma mesma história não é apenas colocar vários personagens iguais com aparências bizarras interagindo. É colocar culturas, valores, religiões, costumes e gostos diferentes em uma mesma panela de pressão. Aprenda a explorar a diversidade recorrente deste conceito e cative leitores não apenas com personagens favoritos, mas com civilizações inteiras que possuem diferenciais tão complexos que uma perna a mais ou a menos vai ser o menor dos detalhes.


Thomas nunca escolhe personagens

humanos quando joga RPG

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