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Para jogar e criar histórias – O sistema de RPG Microscope (parte 1)

Alguns de nós da Taverna, além de gostarmos de escrever, também gostamos de jogar RPG. Então começamos a tentar jogar aos sábados, após as reuniões presenciais. No último, resolvemos testar um sistema diferente, sobre o qual Renan leu recentemente e que nos pareceu bem interessante para construir cenários e backgrounds de mundos – ou seja, que poderia ser, além de divertido, útil, contribuindo para as histórias de alguns de nós ou em outros projetos paralelos. Trata-se do Microscope.

Por conta desse aspecto funcional do sistema, achamos que valia a pena falar sobre ele aqui no blog. Vamos abordá-lo em dois posts: neste primeiro, darei um depoimento de como foi nossa experiência com o jogo. Em um próximo (para o qual sumonarei Renan ou Thales), serão tratadas suas regras e funcionamento em si.

Nós o jogamos em cinco. Nosso objetivo? A criação de um cenário épico, do início ao fim. Esse tipo de história, que cobre grandes períodos de tempo, é o propósito inicial do  Microscope, que basicamente é jogado com papeis (podem ser post its) e canetas, e exige dos jogadores concentração e criatividade (além de um pouco de capacidade de síntese pra colocar suas ideias nos pequenos pedaços de papel indicados pelo jogo). Sentimos, enquanto jogávamos, que poderíamos adaptá-lo para criar histórias menores, também, mas por hora ainda não experimentamos de fato. E como foi?

Os alienígenas telepatas pareciam-se com Cthulhu... sem asas!

Ao fim , da madrugada, tínhamos a história da colonização de um planeta com condições de vida aceitáveis para os seres humanos, que é colonizado após a Terra ser condenada para a vida humana. Valhalla, como os colonizadores o chamaram, não era tão acolhedor quanto os “conquistadores” pensaram, quando o escolheram. Com uma superfície mais instável que a da Terra, em muitos trechos não era habitável senão com um grande esforço de adaptação – e muitos recursos. Parte desse trabalho já fora feito, nos terrenos mais propícios, pelos habitantes anteriores do local, uma espécie telepata parecida com  Cthulhu (sem asas!), com quem os humanos tiveram de concorrer pelos territórios. Além destes, seres insetídeos bastante devastadores desde o início se mostraram um problema para os novatos. Completando o quadro, o planeta possuía reservas de metais que chamaram a atenção de uma civilização ciborgue vizinha, que precisava dos mesmos para ajudar a manufaturar os equipamentos que mantinham sua de outra forma frágil existência. O resultado desse conjunto de espécies diferentes interessadas no mesmo espaço foi uma série de insurreições e conflitos que culminaram na declaração de uma guerra interplanetária…

No meio de tudo isso, ainda houve espaço para interpretação de um encontro diplomático entre as raças, que resultou na segunda guerra de Valhalla, no qual cada um de nós interpretou representantes da civilizações citadas. Isso rendeu momentos hilários, quando Mateus e eu percebemos que poderíamos completar as falas um do outro, por conta da telepatia; ou tensos – quando todos foram surpreendidos por uma insurreição dos humanos insatisfeitos com a falta de terras.

(E nem contei de todo o tempo que foi dispendido antes da história, com nossa primeira tentativa – frustrada – de jogar a partir do tópico: Ascenção e queda dos deuses.)

O saldo? Uma forma divertida e razoavelmente rápida de criar um cenário. Um modo diferente de passar um tempo com seus amigos. Um exercício de escrita a mais pra nossa lista. Algo para se fazer descansado e com tempo (senão a cabeça não funciona bem). Cinco pessoas com vontade de se juntar novamente e viajar n’um RPG diferente. Uma história que provavelmente ainda será mais trabalhada (todos queremos voltar a jogar com ela), e até referências de acontecimentos sobre Valhalla e seus habitantes em nossas piadas e narrativas. Precisa mais? 😉

Estruturei o post em dois momentos para primeiro mostrar como foi legal pra nós, e assim dar um bom motivo para você querer saber como o sistema funciona, e tentar aumentar a disposição para ler um post mais teórico. E também para não deixar muito grande. Espero que tenha funcionado – a primeira parte, pelo menos. Caso não, deixe seus xingamentos e sugestões nos comentários…

Se sua curiosidade foi aguçada, separei alguns links que podem ser interessantes:

  • Para entender um pouco mais, enquanto nosso próximo post não sai: Conheça Microscope: um RPG fractal de historias épicas;
  • Quer entender o sistema a fundo? Dá pra comprar o e-book (e assim contribuir com seus autores)  ou baixá-lo no IsoHunt;

  • Jogou e quer montar uma imagem com sua história, ou quer jogar pela internet? Algumas pessoas usam um site pra criação colaborativa de murais como um “hack” pro jogo, e o resultado é interessante;
  • Por último, mas não menos importante: já ouviu falar d’O Improvável? Trata-se de um espetáculo de humor baseado em improvisações. Dois de seus quadros, o Dueto Improvável e o Irmãos Siameses, dão uma ideia de como foi ver Mateus e eu interpretando os alienígenas telepatas. Só que sem tentáculos. =P

/* Atenção! Nosso primeiro tema mostrou-se tão polêmico que chegamos à conclusão, depois de pelo menos uma hora de tentativas infrutíferas de avançar na dinâmica do jogo, que levaríamos dias para conseguir construir algo, e ao final provavelmente teríamos algum tratado teológico-filosófico acerca do assunto. */

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