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Reeducação Postural Global. Só que não.

abril 26, 2012 1 comentário

Pois bem. Falamos de heróis, falamos de vilões, de lutas e referências. Como eu sou um poço de imaginação (só que ao contrário), desde a semana passada eu não faço a menor idéia do que seria o tema da minha próxima postagem.

Fazia.

Meu tema para hoje será algo que, embora eu tenha referenciado vááááárias vezes durante meus últimos textos, acabei não falando nada específico. Creio que muitos dos leitores desse blog jogam, mestram, assistem, lêem ou ao menos já ouviram falar de RPG.

Talvez um ou outro leitor desse blog não saiba o que é RPG, então aqui vai um resumão da coisa: RPG (roleplaying game) é nada mais que um jogo em que você interpreta um personagem dentro de uma história narrada por um outro jogador (o mestre). Normalmente um mestre narra a história para um grupo de jogadores, e cada jogador atuando um personagem, fazem um grupo de heróis que vive aventuras imaginadas. Para que a aventura não fique abstrata demais, existem fichas com as informações de cada personagem e testes utilizando dados fazem saber quais ações foram ou não bem-sucedidas: desde atacar um monstro com uma espada até abrir uma porta trancada usando ferramentas. O limite para onde as aventuras podem acontecer e o que os personagens podem fazer dentro das aventuras é o limite da imaginação dos jogadores. Se eu consegui me expressar direito, você deve ter imaginado um jogo de faz-de-conta pra adultos. É mais ou menos isso.

Mulheres jogando RPG? PFFFT

Eu comecei a jogar RPG em um período super trash da minha vida. Era o típico loser na escola, a garota de quem eu gostava (que depois veio a ser minha primeira namorada, olha só) achava que eu era o próximo amigo gay dela, não tinha amigos, minhas notas estavam horríveis e eu morava na casa da minha avó, que na época era o equivalente IRL de Sauron, o Senhor do Escuro. E o RPG meio que me tirou desse fosso.

Antes que isso vire um diário, digamos que o carinha que eu mais odiava no colégio veio convidar um tio meu pra jogar RPG e esse meu tio disse que não queria mas que eu poderia me interessar. O bully maldito virou um dos meus melhores amigos depois daquele dia. Desde a primeira primeira sessão (Harry Potter, me julguem) me apaixonei pelo hobby. Naquela época eu era meio alheio, apenas jogava sem entender muito as mecânicas (e não tinha grana pra comprar os livros básicos de D&D pra aprender mais), mas assim que me mudei para Curitiba comprei o primeiro e segundo números da Dragonslayer. Até comprar essa revista eu não fazia a menor idéia do que era RPG. Apenas com ela eu passei a compreender o que era o Trio Tormenta, conheci inúmeros sistemas e ambientações, aprendi mais sobre edições antigas do D&D, adquiri crivo de julgamento para novos e velhos sistemas e ambientações, li romances baseados em cenários, comprei meus livros (finalmente!) e hoje em dia posso dizer com segurança que tenho conhecimentos sólidos do hobby.

Eles podem espernear, negar e caçoar: mas pode ter certeza que todo RPGista já se imaginou assim enquanto jogava.

“Ok, Thomas, sua história de vida é linda, você merecia aparecer no Programa do Gugu. Mas este é um blog sobre escrita. O que essa atividade demoníaca tem a ver com escrita?”, você pergunta. Minha resposta é simples: tudo.

RPG é, essencialmente, a criação de uma história em conjunto com amigos bebendo refrigerante quente e comendo salgadinhos. RPG é a invenção de um mundo, é a descrição de ações, aparências. É plot twist, é drama e surpresa. Um bom RPG tem história para vários livros. E o pior é que eles realmente existem. Cenários de RPG geram uma literatura sólida e de público fixo, ainda que seleto aos maiores fãs do gênero. Qual RPGista veterano nunca ouviu falar de Elminster: The Making of a Mage? E qual viciado por beholders nunca entrou em uma livraria especializada e ficou babando para os épicos nove volumes de War of the Spider Queen? Eu mesmo sempre uso A Trilogia Tormenta como exemplos nos meus posts.

RPG e literatura andam de mãos dadas, ainda mais se for o tipo de literatura que abordamos aqui na Taverna. Por mais que você não vá encontrar adaptações de Querido John por aí, pode esperar que no próximo número da Dragonslayer teremos uma bela adaptação de Avengers com as mesmas imagens que todo mundo já viu do filme. O Senhor dos Anéis foi o pai dos wargames, jogos de tabuleiro que simulavam guerras, estilo WAR, que por sua vez foram pais do RPG. Indiretamente, RPG nasceu de literatura fantástica. Além disso, estamos vendo hoje em dia que uma boa parte do público de RPG não joga ativamente mas continua consumindo material escrito por puro prazer. Pensando nisso, publicações como o Guia do Mundo de Reinos de Ferro, que unem regras e descrição de ambientação, estão cada vez mais comuns.

E aí, RPGista. Muita nostalgia dos bons tempos de RPG nos sábados de tarde?

Enfim, este post não teve quase nada de aproveitável para o conteúdo comum da Taverna, mas é um tema que deu pra aproveitar. RPG e literatura fantástica andam de mãos dadas, um promovendo e recriando o outro. Se você nunca tentou jogar, dê uma chance (e não se intimide pela aparência dos nerds que irão jogar com você: lembre-se que eles tem mais medo de você do que você deles). Se faz muito tempo que não joga, reúna seu antigo grupo e tire uma tarde de inverno pra revisitar aquele seu meio-orc bárbaro com 3 de Inteligência. Leia material de RPG, leia romances ambientados em RPG, faça versões escritas das aventuras do grupo. E divirta-se, por que se você não se diverte jogando RPG, é por que está jogando errado.


Thomas não joga RPG fazem meses e

irá remediar esta situação domingo que vem.

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As viagens da Tartaruga: estranhos chapéus e lagos congelados

abril 23, 2012 2 comentários

Muito tempo se passou desde que a Tartaruga pôde ir a algum lugar. Perdida entre bolsos de casacos e mochilas, ela já se perguntava se algum dia voltaria a ver a fria luz artificial de algum café de shopping outra vez. Sentia-se presa. Sentia-se inexoravelmente solitária. Abandonada. Sentia-se como Faye: muda, esquecida pelos pais,  sem escolha ou escapatória.

Leia mais…

Mitologia: Pesquisas e Inspirações.

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Em meu primeiro post, queridos leitores, vou falar sobre Mitologia, um dos meus temas favoritos! A escritora Mirella Faur defini como Mito sendo como a narrativa de uma história sagrada que se passa num tempo mítico, num contexto divino e mágico que envolve seres sobrenaturais. Mas, como diria Juliana, “Mitologia é a religião do outro”. Isso aí. O que hoje vemos como mitologia Grega, Celta, Nórdica e tantas outras eram religiões levadas a sério, como hoje vemos o Cristianismo, Judaísmo, Ubanda… Quem nos garante que daqui há 100, 500 anos ( se o mundo não acabar até la! ) o que hoje move civilizações não será visto como meras historias para crianças dormirem?! Por isso, para começar, tratem a mitologia alheia com certo cuidado!

Mas como diria Jack, o estripador, vamos por partes!

Mitologia como base:

Muitos escritores gostam de criar seus próprios mundos, seus deuses, heróis lendários e todo o resto, mas sempre se pode usar uma mitologia já existente como base e inspiração. Um bom exemplo disso é a série de livros Percy Jackson e os Olimpianos, onde o autor Rick Riordan usa de conhecidas historias e deuses e as adapta ao século XXI, dando explicações para justificar sua trama. Assim como outros personagens conhecidos, Percy é filho de Poseidon ( Spoiller!!!), sua melhor amiga é filha de Atena e o trio é completado por um sátiro, Grove. Na historia até mesmo os monstros enfrentados já são conhecidos por muito, o que de certa forma facilita o entendimento da historia. Quem não achou o Percy um super estupido por ter cortado a cabeça de uma hidra?! Isso porque já tínhamos um conhecimento prévio sobre o monstro.

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O anime xXx Holic é outro exemplo de grande exploração de mitologias, nesse caso, mitologia japonesa. Podemos ver ao longo dos episódios diversos deuses, entidades, espíritos e até explicações sobre rituais religiosos.

Outro exemplo, são as produções da Marvel, que atualmente andam destacando o personagem Thor, personagem tirada das historias Nórdicas, assim como os gigantes de gelo que ele enfrenta e seu famigerado irmão Loki.

Há também a utilização de inspirações mais sutis como nos livros de Tolkien. Em momento algum é dito de onde foram tiradas suas fontes de inspiração, mas basta procurar um pouco para ver referencias Nórdicas, como o próprio nome da Terra Média, a existência de Dragões (como o presente em O Hobbit ) e até mesmo O Anel, inspirado em O Anel do Nibelungo (onde no final da historia, um personagem morre afogado tentando recuperar o anel. Alguém ai já viu algo parecido?!)

Mas de todas, a mitologia grega é, sem dúvida, a mais difundidas, especialmente após a enorme série de filmes hollywoodianos com esse tema (Como Tróia, Fúria de Titãs, Imortais e por aí vai)

E falando em tais produções… vamos as armadilhas da mitologia!

Armadilhas da Mitologia.

Um sério problema em trabalhar com algo que já é conhecido, é ficar preso a certas convenções. É difícil contrariar o senso comum, o que as pessoas já tem por certo e não ficar com uma imagem negativa.

Certos leitores de Percy Jackson questionaram o fato dos deuses serem muito bonzinhos nos livros, especialmente Poseidon. Com o decorrer da historia, essa visão vai mudando um pouco, mostrando o quanto os Deuses (especialmente Zeus) podem cometer injustiças ao ponto de serem cruéis.

Mas nada supera o filme Imortais. (se você pretende ver o filme, não leia esse paragrafo. Ou melhor, leia, assim você desiste de assistir esta mer**!) Para começar, onde se viu um Teseu mortal?! Que não é filho de Poseidon, que é queridinho de Zeus?! Onde já se viu a historia de Teseu sem Dédalo ou a Princesa Ariadne?! E ainda por cima Teseu ficando com o Oraculo de Delfos! Tendo um filho com a garota que fez um sagrado voto de castidade! Onde já se viu uma historia de mitologia onde titãs são uns caras estranhos do tamanho de humanos que ficam trancados todos juntos dentro de uma gaiola numa montanha?! A impressão que passa é que o diretor do filme simplesmente pegou nomes aleatórios da mitologia grega e colocou como bem quis na historia dele, o que causou a desaprovação de muita gente!

Outro exemplo de conflito gerado foi a questão dos elfos. Senhor dos Anéis chegou primeiro, e ajudou a difundir a versão de elfos como sendo seres altos, belos e bem parecidos com os humanos, eis então que na série Harry Potter, J. K. Rolling nos apresenta os Elfos Domésticos. Seres pequenos, feios, que são escravizados pelos humanos (muitos deles tendo até mesmo prazer em servir), provavelmente tendo inspiração na versão irlandesa dos “Elfs” que para eles são entendidos como duendes, onde são encontrados em lendas ajudando ou enganando humanos. Ao longo de minhas andanças pude encontrar mais de um fã de Tolken que revoltou-se ao ver a raça elfica subjugada de tao maneira (encontrei até quem desistisse de ler Harry Potter por causa disso!). Claro que muitos não se importam (eu não me importei), mas esse é um ponto que deve ser levado em consideração.

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Se pessoas reclamam sobre quem atirou primeiro em Star Wars, um detalhe mínimo na historia que não muda nada no desenrolar da trama, imagine por verem seus mitos favoritos deturbados?!

E onde entra a liberdade de escrita?

Sinto muito, meus caros, mas esse não é um mundo completamente livre. Utilizar-se de mitologias é uma linha que você pode seguir, e se a escolheu, creio que seja por gostar de mitologia e ter um conhecimento prévio sobre isso. Então se pretende transformar Loki, deus das trapaças da mitologia nórdica, em um mocinho injustiçado, vai precisar de ótimos argumentos para isso e muito bom senso. Releituras podem ser algo muito interessante, desde que cuidadosamente trabalhadas.

Mas também não se prenda demais!

Voltando ao exemplo de Percy Jackson, é possível notar em VÁRIOS momentos do livro uma forte inspiração (copia!) de fatos já famosos da mitologia grega. O Percy é constantemente colocado na mesma situação que heróis famosos, não só na hora de enfrentar monstros, mas até mesmo em escolhas pessoais. (ok, sobre isso não darei spoiler), e isso ocorre também com outros personagens da série. A não ser que você esteja re-narrando a guerra de tróia, os 12 trabalhos de Hércules ou algo assim, busque diferenciar sua historia, buscar novas tramas e conflitos, assim o que é para ser inspiração, não fica parecendo falta de criatividade.

Um bom exemplo disso é Deuses Americanos, de Neil Gaiman, onde Deuses de diversas mitologias se reúnem para atacar os Estados Unidos. Historia nova, personagens antigos e tudo muito bem trabalhado. Ah e não podemos esquecer de uma historia que esteve em nossa infância (até hoje na verdade!): Cavaleiros dos Zodíaco! A deusa Atena reencarnando há cada 100 anos para defender a Terra, cavaleiros mortais protegendo-a, as armaduras sagradas e a influência das constelações. Apesar de todos os defeitos da série, Masami Kurumada soube pegar mitologia grega e nórdica e fazer algo diferente, conseguindo muitos fãs com isso (quem nunca tentou dar o cólera do dragão no chuveiro que atire a primeira pedra!)

Onde pesquisar:

Definidamente filmes hollywoodianos não são a melhor fonte de pesquisa que você pode encontrar. As historias costumam ser bem deturbadas, mas servem como fonte de inspiração para se pegar o clima da coisa. Filmes podem te ajudar também quanto ao figurino, mas cuidado nisso. Às vezes, até por uma questão de pudor, as roupas tipicas da época eram modificadas. ( Você não viu em 300 as mulheres com os seios de fora, como realmente acontecia antigamente, assim como dificilmente um filme que se passe em Creta iria mostrar que as mulheres de la só deixavam o rosto e os seios a mostra.). Já documentários, são uma ótima fonte, especialmente se você não tiver muito tempo para pesquisar, mas livros estão sempre aí. Até mesmo o seu professor de historia pode te ajudar com isso!

Busque em mais de uma fonte, se possível, organize o que encontrar, seja em arquivos impressos num classificador ou em pastados no PC. A organização ira evitar trabalhos desnecessários depois.

E lembre-se, se você ouviu falar de um tipo de mitologia ou civilização antiga, é porque alguém já pesquisou e publicou sobre isso. Então não ache que jogar God of War vai ser o suficiente para escrever sobre mitologia grega!

Diferentes Mitologias, saia do lugar comum.

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Cena do deus Susanoo lutando contra o Dragão de 8 cabeças.

Como puderam ver, ao logo desse post dei mais exemplos ligados a mitologia Grega, justamente por ser a mais conhecida, mas ela esta longe de ser a única. Diferentes culturas trazem historias interessantes, e a novidade é sempre um ponto positivo. Até mesmo no Brasil temos varias historias de nativos, de deuses dos índios, lendas e afins, que não devem ser menosprezadas. Ou até indo para outros lugares, como América central, Índia, China e Japão. ( Sim, o Japão possui sua própria mitologia, que é a minha favorita, por sinal!

Por: Nai-chan, Vulgo Thinai.

(que não ficaria feliz em falar de mitologia sem falar em CDZ!)

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Vilões, parte dois com mais humor ainda.

abril 10, 2012 Deixe um comentário

Semana passada (finja que foi semana passada) falei sobre dois tipos de vilão: o vilão-vilão (exemplificado pelo otimissísimo Coringa) e o vilão-não-tão-vilão-assim (Dhaos de Tales of Phantasia). Hoje vamos cobrir outros dois tipos canônicos e mais simples de vilões.

Depois de começar com dois tipos de vilão extremamente complexos e difíceis de criar e trabalhar com, vamos falar um pouco sobre os vilões mais clássicos. Um dos mais clássicos é aquele tipo de vilão que pratica maldades por ser mais fácil.

Sejamos francos: ser bonzinho é difícil pra caramba. Veja em uma sessão de RPG, por exemplo… ser um paladino de tendência leal e boa é normalmente muito legal, sair dando porradas divinas em orcs malvados geralmente é MUITO TESÃO. Mas e quando o grupo (a maior parte composto por personagens de tendências neutras) precisa extrair uma informação crucial de um guarda real capturado e o modo mais fácil é uma longa, extensa e cruel sessão de tortura? Você, o jogador, faz cara de Yao Ming e diz “foda-se, torturem o cara aê”, mas nesse momento o mestre – o eterno chuta-bolas-no-momento-pré-coito – diz “NOPE, sua tendência não permite que você seja conivente com uma sessão de tortura” e faz uma trollface enorme. Ser bondoso é seguir um conjunto de regras estritas: para personagens bons não existem cortes no caminho ou meios-termos. Ou você é bom ou não é e ponto final.

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