Início > Uncategorized > Vilões, parte dois com mais humor ainda.

Vilões, parte dois com mais humor ainda.

Semana passada (finja que foi semana passada) falei sobre dois tipos de vilão: o vilão-vilão (exemplificado pelo otimissísimo Coringa) e o vilão-não-tão-vilão-assim (Dhaos de Tales of Phantasia). Hoje vamos cobrir outros dois tipos canônicos e mais simples de vilões.

Depois de começar com dois tipos de vilão extremamente complexos e difíceis de criar e trabalhar com, vamos falar um pouco sobre os vilões mais clássicos. Um dos mais clássicos é aquele tipo de vilão que pratica maldades por ser mais fácil.

Sejamos francos: ser bonzinho é difícil pra caramba. Veja em uma sessão de RPG, por exemplo… ser um paladino de tendência leal e boa é normalmente muito legal, sair dando porradas divinas em orcs malvados geralmente é MUITO TESÃO. Mas e quando o grupo (a maior parte composto por personagens de tendências neutras) precisa extrair uma informação crucial de um guarda real capturado e o modo mais fácil é uma longa, extensa e cruel sessão de tortura? Você, o jogador, faz cara de Yao Ming e diz “foda-se, torturem o cara aê”, mas nesse momento o mestre – o eterno chuta-bolas-no-momento-pré-coito – diz “NOPE, sua tendência não permite que você seja conivente com uma sessão de tortura” e faz uma trollface enorme. Ser bondoso é seguir um conjunto de regras estritas: para personagens bons não existem cortes no caminho ou meios-termos. Ou você é bom ou não é e ponto final.

Exatamente por ser tão difícil ser bom que a alternativa, ser mal e muitas vezes por consequência ser vilão, é tão atrativa. Roubar uma banco passa a ser mais fácil do que trabalhar duro pelo próprio dinheiro. Imperializar um local e ser tirano é mais fácil do que trabalhar em prol de seu povo e ganhar respeito. Tratar a Força como uma putinha barata de BR para saciar seus próprios objetivos é mais fácil do usá-la com cuidado, respeito e em prol dos mais necessitados. Vilões desse tipo pensam apenas neles mesmos, escolhem o caminho mais fácil e não se importam com os danos que podem causar aos outros. E comicamente, meu melhor exemplo para este tipo de vilão é ninguém menos que o Dick Vigarista.

Ninguém esperava por ele, vai dizer?

Todos lembramos dele. Ser honesto e ganhar a Corrida Maluca confiando em seus próprios esforços era demais para ele. Era muito trabalhoso. O que ele queria mesmo era ganhar facilmente e para isso, não poupava estratagemas para trapacear e passar por cima dos outros competidores. Este é o vilão mais tradicional e mais simples de ser escrito: suas motivações são simples e seus métodos podem até ser complexos mas o vilão não tem muita profundidade.

Mais um tipo de vilão dos meus favoritos é aquele que, bem, não é vilão. Ok, ele é. Mas também não é. Ou seja: é.

Lembram do exemplo que eu dei dos personagens de RPG com tendência neutra que iriam torturar o tal guarda real? Eles continuam sendo heróis, por que no final aquela tortura iria servir para destronar o imperador tirano, mas será que, em última instância, era MESMO a última opção? Será que eles não acabaram, por um segundo, se tornando também vilões sob o ponto de vista do guarda real, para que sob o ponto de vista deles mesmos, fossem bonzinhos? Normalmente, para personagens bons, os fins não justificam os meios. A honra é algo importante que não pode ser maculada: do contrário, todo o esforço em torno do objetivo (por mais honrado que o objetivo seja) é perdido. Nesse conceito complexo pacas encontramos aquele tipo de vilão que quer apenas fazer o bem.

Vejamos Anji Yukyuuzan, um dos vilões integrantes da Juppongatana, um esquadrão maligno, do anime/mangá Samurai X. No passado Anji era um monje budista que teve seu orfanato queimado e todos os orfãos em seu cuidado assassinados por uma ordem do governo. Revoltado e semi-morto, ele se revoltou contra o governo – não com vingança, mas com vontade de mudá-lo. Treinou, tornou-se um monge bombado e juntou-se ao grupo de Makoto Shishio, o maior vilão da saga, que queria modificar o governo através da força bruta. Anji não via na atual conjuntura do governo japonês nenhum tipo de esperança. Ele acreditava que o processo de destruição-reconstrução eram a maneira mais fácil de mudar as coisas e criar uma sociedade justa. Ele mesmo disse que caso o governo imposto por Makoto Shishio não fosse o ideal, ele mais uma vez se levantaria contra, destruiria tudo novamente e reconstruiria.

Nesse desenho não dá pra ver mas ele é REALMENTE bombado.

Vejam a situação pela ótica de Anji: ele não queria praticar maldades; Ele não queria benefícios; Ele não queria vingança. Ele queria apenas um mundo pacífico e justo onde orfãos pudessem viver sem serem assassinados pelas engrenagens do governo. E empenhou-se para isso. O problema é que Anji acreditava que mortes e sacrifícios de inocentes eram um peso necessário no processo, o que é uma opinião com muitos mamilos de polemicidade. Porém, caso Shishio realmente tivesse vencido e criado seu governo e este governo fosse realmente justo e igualitário e cada órfão tivesse um coelhinho, Anji seria um herói.

É incrivelmente difícil de lidar com um personagem deste tipo. É preciso deixar claro para o leitor que, por causa das experiências particulares dele, nenhuma outra opção é válida – ele é, afinal, um personagem bondoso e não se deturparia se lhe fosse dada a oportunidade.

Pois então, estes quatro são, em minha opinião, os quatro mais interessantes e mais utilizados vilões que vejo por aí. Lembrem-se da regra de ouro: o vilão não é apenas mais um personagem, ele é uma peça chave e fundamental que, na maior parte das vezes, cria toda a motivação para que a história aconteça. Muitas vezes o vilão é tão importante que acaba tornando-se um dos personagens principais (como vemos em Fou-Lu, vilão do game de PS1 Breath of Fire IV). Sempre cubra todas as pontas soltas da história: quando não forem os personagens os mais interessantes, que sejam então os vilões!

Thomas achou o máximo usar o

Dick Vigarista como exemplo

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: