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Entendendo um roteiro cinematográfico, ou não.

Olá pessoas, este é meu primeiro post aqui no Trapeixe, então sejam bonzinhos comigo. Eu havia prometido começar a escrever aqui a muito tempo aqui, mas por pura vagabundagem falta de inspiração e concentração para trazer um conteúdo realmente relevante. Bem, não sou bom sendo prolixo, por isso, saiba que hoje você entendera um pouco mais, ou não, sobre roteiros cinematográficos.

A primeira pergunta a ser feita é o que é um roteiro?

Um guia para ser filmado? Uma grande coleção de idéias co-relacionadas? Uma série de imagens com cenas e seqüências juntas com notas de diálogos por aqui, ou por ali? Inicialmente sabemos que ele não é um romance, ou nem uma peça de teatro. Por quê?

Olhe um romance e tente ver a natureza essencial dentro dele, geralmente, ele acontece dentro da subjetividade do personagem principal. Enquanto, no roteiro, estamos privados de pensamentos, sentimentos, memórias, esperanças, ambições e opiniões dos personagens. Salvando exceções, num romance as ações acontecem dentro do universo mental dos personagens. Já na peça de Teatro, a ação ou enredo, acontece no palco. Sob o arco proscênio – aquele lance de ter que sair do palco pelo lado que entrou – e a platéia. Como em uma casa de bonecas, aonde a quarta parede e o teto são retirados e podemos ver dentro da vida dos personagens. Eles falam das suas vidas, seus medos e desejos. No universo verbal dos personagens.

O roteiro cinematográfico é um pouco diferente. O filme é um meio visual que dramatiza um enredo básico. Agora você pode estar se perguntando, mas durante um livro, ou peça teatral. Não dá para atingir os mesmo efeitos com esta, ou outras, formas. São diferentes efeitos midiáticos trata-se de imagem, voz, som, lugar, realização e tudo localizado em um contexto de uma estrutura dramática.

Todos os roteiros cumprem esta premissa básica uma “pessoa”, num “lugar”, vivendo uma “coisa”. Como a analogia do jogo de xadrez, os personagens são as peças, se precisa de um tabuleiro, um jogador para jogar e as regras para que tudo isso aconteça. Com consciência precisamos saber que o roteiro deve tratar do “jogo” de forma, clara e objetiva, sem nenhuma ambigüidade ou subjetividades. Vamos seguir a analogia do xadrez, quando você joga. Você sempre sabe como se comportam as peças, pra onde elas são ou como elas vão para determinado lugar, da mesma forma isto deve estar descrito no Roteiro, como os personagens são, quais sãos suas necessidades e aparência. Bem, mas não queremos que isto seja uma interferência para o roteiro principal, por isto, é bom fazer uma aba de descrição de personagens principais. Outro cuidado importante é com a descrição do cenário, seja objetivo quanto ao que você quer mostrar em cada cena, evite floreios e abstrações exageradas dentro de um roteiro, subjetividade não pode ser vista, tente lhe dar com o que se pode ver e ouvir. Quanto ao “jogo”, procure mostrar as peças e o cenário criado utilizando a trama, só não se esqueça de tratar isto com muita objetividade, utilizando corretamente os planos de filmagens, deixe claro o que se passa em cada seqüência.

Vou usar como exemplo este fragmento do roteiro.

 

SEQ. 40 – DIA / INT. / FLAT DE HORÁCIO – SALA + BANHEIRO + QUARTO

Um homem mais jovem que seu pai abre a porta.

Mano fica paralisado.

GUSTAVO (TENSO)

Oi Mano. Entra. Seu pai está pra chegar.

Mano entra meio ressabiado.

GUSTAVO (TENTANDO QUEBRAR A TENSÃO)

Senta aí. Você já viu a entrevista do seu pai na revista?

Mano senta. Pega uma revista dobrada numa página e vê.

Vemos entrevista ping pong com foto e nome do pai. Título está escrito:

HORÁCIO MARTINS: NOVAS MÍDIAS CRIAM CONSUMIDORES MAIS CRÍTICOS

Gustavo senta em frente a Mano. Pega uma revista descolada, em inglês, que estava lendo. Os dois se olham superconstrangidos. Momentos de silêncio tenso.

Mano anda pelo apartamento do pai, lentamente, como se invadisse uma área proibida. Entra no banheiro. Enquanto faz xixi, Mano observa duas escovas de dente no potinho, em seguida, vê duas toalhas coloridas secando no box. Fica nervoso. Mano sai pelo corredor, vê a porta do quarto entreaberta. Empurra lentamente e olha lá dentro. Vê uma cama de casal com os lençóis desarrumados, com dois travesseiros amassados e roupas jogadas numa cadeira. Num canto ele vê dois pares de chinelos masculinos lado a lado. Mano aperta o passo, passa pela sala, apressado, e sai do apartamento sem falar com Gustavo.

Trecho retirado do roteiro do filme “As Melhores coisas do mundo

Apesar de não ser um roteiro tão impressionante ou com um detalhadamente mais profundo, principalmente por que o mérito deste filme está especialmente na Direção de Fotografia e Direção de atores.De qualquer forma, podemos facilmente utilizar este fragmento para fins didáticos, note que a cena é bastante clara e objetiva, ele basicamente só utiliza o que os produtores e o diretor vão utilizar, de forma funcional, em geral sem floreios.

Bem, tentei simplificar um pouco o conteúdo, para não deixar algo excessivamente técnico e cansativo, Se for necessária uma explicação mais técnica é só pedirem! Para conhecer outras coisas que eu escrevo, meu outro blog. No mais, Nada más.

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